quinta-feira, 12 de maio de 2016

Depois do Fim

Antes do fim…
Há de se perambular pelos reinos ocultos e por entre as névoas de pensamentos e descriações, visitar castelos em ruínas, e sorver seus escritos desesperados. Vencer o insuportável medo e trafegar pelos seus nuances de branco cristalino, cinza esfumaçado e preto enluarado.
Que existam pesadelos para nos lembrar de que o mundo é feito de partes iguais e equilibradas… Que venham as grandes ondas de destruição e amargura, e que nos afoguemos em decepção; pois é preciso crescer, é preciso aprender.
Haverá de se construir montantes de intrínsecos delírios, frágeis em sua estrutura e rígidos em sua breve existência, sendo esquecidos em seguida, mas reforçando os alicerces da realidade verdadeira, aquela que só existe quando se pensa nela.
Haveremos de visitar os mundos inventados, ler os poemas jamais escritos, trilhar as estradas jamais construídas… destruir-nos-emos e renasceremos revigorados… para percebermos, pelo menos uma vez, que a realidade nem sempre está acordada.
Há de se ter a percepção de que o Sonho não é um mundo a parte; ele é uma extensão do dia e da noite, ainda que não seja sólido, mas ainda assim, detentor da força bruta necessária para mover as estrelas.
E pouco antes do fim, sentir o abraço e beijo calorosos de uma velha amiga, sussurrando segredos em nossos ouvidos, fazendo-nos saber que cumprimos nosso objetivo antes de partir, mesmo que esse objetivo fosse deixar coisas incompletas para outras pessoas terminarem…
E que seu abraço e beijo sejam o bálsamo do guerreiro cansado, as ferramentas que movem a engrenagem da vida.
O fim da dor e da peleja. Que seja apenas alívio.
E quem teremos sido? Maus ou bons? Amantes ou covardes?
Um dia descobriremos a resposta e então haveremos todos de dormir, acalentados por seu toque frio e suave.
Ò Morte piedosa, me guiando pela trilha infinita da densa névoa que existe além…
E depois do fim, quem sabe o quanto ainda há de se sonhar?